17 de jul de 2012

Carpe diem

me ponho diante do espelho e encaro a quase estranha à minha frente
pela expressão dos olhos no espelho percebo que uma não reconhece a outra imagem à sua frente
levanto as mãos lentamente e suavemente faço os dedos deslizarem pelas linhas que surgiram sem que eu me desse conta sob meus olhos
contorno como que temendo que explodissem ao toque, o inchaço sob os olhos, como se a um simples toque meu, eles fossem desaparecer sem deixar vestígios
um brilho prateado me chama a atenção, e ergo os olhos para descobrir o que é
eis que surge, do meio da mata negra, um fio branco, e não prata como imaginava
penso em arrancar aquele ser estranho dalí, mas então percebo que ele não está sozinho, tem a companhia de muitos amigos
impotente momentaneamente, descanso os braços ao longo do corpo, e só aí percebo
que o tempo passou e nem vi
escondida em meu mundo fiquei, e sequer conheci a vida
os prazeres que ela oferece
a delícia de conhecer, explorar, deixar legados
deixei a vida passar quando deveria ter vivido
sentido
amado mais
beijado mais
gritado, se necessário
mas deveria ter.....deveria ser.......
mas de repente penso:
deveria? Porque deveria?
eu ainda tenho tempo
de viver
de acertar, errar
encontrar
beijar muito
gritar, se quiser
sentir e conhecer o mundo que me cerca
eu posso tudo que me dispuser a ser e fazer
ergo os olhos novamente, jogo o cabelo para o lado e me despeço dessa imagem
que não pretendo ver tão cedo e grito bem alto:
e viva a vida com suas decepções, tristezas, alegrias, mas viva a vida, e se precisar
recomeçar sei que farei mil vezes, pois a vida assim como eu, se renova a cada dia.

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