10 de dez de 2010

Livre arbitrio

Você  conhece alguém, se enamora e começam a namorar
No começo tudo é maravilhoso, você dorme e acorda pensando nele, e sempre está com um sorriso nos lábios. Nesses momentos você ainda é você, tem uma vida, e é dona dela
No começo você não tem que dar satisfações, fazer reparações, dar explicações detalhadas, coisas assim.
Você usa sua saia mais curta, e se der a louca nem usa calcinha por baixo que ele em vez de ficar zangado achará aquilo o máximo.
Você sai com seus amigos que são inúmeros. Senta em um barzinho sem culpa. Chega tarde em casa e nada de telefones onde a crítica, a cobrança e brigas, não necessariamente nessa ordem, são eternas.
Você é livre para dizer o que pensa dele. É livre até para chamá-lo de idiota, se quiser, que ele não revida. Ele é só gentilezas, não tem defeitos aparentes.
No entanto, o tempo passa, e sem perceber o príncipe vira sapo. O produto tem um vício oculto, e você percebe quase tarde demais.
De repenten, não sabendo voce como isso aconteceu, você já não tem um amigo sequer. Pega o telefone incrédula e percebe que já não tem nem o número daquela amiga que você via todos os dias e que passava horas ao telefone. 
Você começa a percebe que quando sai com ele, seus amigos (que já são ex-amigos) lhe dão um sorriso  sem graça e logo viram o rosto como se temessem uma reação desagradável por parte dele.
Esses fatos te fazem perceber que você deixou sua vida para trás; que você deixou de ser você para ser o que o outro quer; que você vive uma mentira; que é um ser sem identidade; que você é omissa, acomodada, acovardada. Essas constatações te deixam boquiabertas porque você não percebeu quando e como isso ocorreu.
Você se tornou dependente ao ponto de pensar que não poderia andar sozinha, e isso é inadmissível.  
Não é porque se está com alguém que se deve deixar de viver, de sentir, de brincar, de ter amigos, e de conhecer coisas novas.
Você não deve se isolar do mundo,  porque não podemos e nem viemos ao mundo para viver em uma redoma de vidro, porque uma hora esse vidro pode trincar. E quando ele trinca as imperfeições aparecem tenha certeza , e quando isso ocorre, por mais que você tente colar os pedaços você chegará à conclusão que isso já não é mais possível, e  que você só tem duas saídas:
Sair da redoma de vidro trincada e viver, decidir sobre o que lhe compete, e retomar sua vida, ou você pode construir redoma idêntica e se fechar dentro dela.
No entanto, não creio que depois de você sentir o vento tocar seu rosto, de você sentir a vida brotar de dentro de você, o calor do sol na sua pele, o calor da amizade das pessoas ao seu redor, você se contente em voltar para a redoma solitária e fria.
Você precisa sim, aprender a lidar com a tristeza, com a alegria, com a certeza e a incerteza, com a traição e com a lealdade, com o amor, com o desamor. Enfim, você precisa aprender que você nasceu para sentir, para viver sensações diferentes a cada dia numa evolução natural, e que se assim não for, você não merece realmente o sacrifício de ter nascido, devendo então, voltar para o casulo e se esconder do mundo até que a vela se apague.
Val Araújo

21:00 h

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