10 de jun de 2012

Lição de vida

Um milionário passando um dia com seu carro caro por uma cidade pequena, vê um velhinho sentado na beira do cais, usando chapéu de palha na cabeça, roupas velhinhas, mas limpas, chinelo de couro, cigarro de palha no canto da boca, cantando uma canção que só ele entendia.
Ele jogava a linha de pesca dentro do rio, cantava a música ininteligível e puxava a linha de volta, olhava o anzol e jogava novamente. Não vinha nada no anzol, nenhum peixe, mas ele continuava cantando sossegadamente e jogando sua linha dentro do rio.
o expectador milionário, continuava dentro do seu carro caro, ar condicionado ligado olhando para aquele velhinho. Aquela visão o irritava inexplicavemente. Ele se perguntava o porque daquela criatura demonstrar tanta felicidade, parecendo tão pobre, e mesmo assim mesmo estando há horas exposto a um sol terrível, continuava cantando e feliz mesmo sem pescar um mísero peixe.
Na sua superioriodade convicta, imaginava que pobre tinha que se manter pobre mesmo, porque era muito preguiçoso para buscar a riqueza.
Estressado ao extremo, sai do carro pisando duro com seu sapato de grife na terra lamacenta.
No trajeto até o velhinho, imaginava mil formas de mandá-lo procurar algo útil para fazer na vida e largasse a vadiagem.
À medida que caminhava sua itriração crescia, pois o sol escaldante o fazia suar em gotas.
Chegando perto do velhinho que sequer tinha se virado para olhá-lo pergunta sem sequer cumprimentá-lo:
- O senhor não tem o que fazer em casa?
Não se sente um inútil jogando essa linha há oras sem pescar nada?
Porque não vai trabalhar de verdade?
O senhor com certeza seria mais feliz.
O velhinho lentamente volta os olhos para aquela voz, e vê um homem vermelho de raiva, à beira de um ataque de nervos, suor escorrendo pelo rosto que parecia lhe irritar ainda mais. Tenta ver seus olhos, mas não consegue, posto que cobertos pelo caro óculos de sol. Percebe a roupa e sapatos caros, o rolex no punho. Vira para o lado e olha fixamente o carro caro daquele homem, e que ostenta toda a riqueza que possui, e responde simplesmente:
- Boa tarde senhor.
Estou aqui hoje, simplesmente pelo medo de me tornar como o senhor.

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